sábado, 13 de setembro de 2014

Os Tristes Olhos Verdes

OS TRISTES OLHOS VERDES
O rosto redondo ressaltado por cabelos pretos torna a jovem muito bonita.
Tem uma boa estatura, talvez as medidas estejam acima dos padrões da moda. E por falar em moda, sua vestimenta também não seja um look que esteja nas passarelas.
As maçãs do  rosto são rosadas naturalmente, se chorar ou rir,  ficarão muito vermelhas.
Talvez esse aspecto rosado lhe traga um ar saudável.
Mais há algo naquele rosto que nos remete a pensar, refletir.
Os grandes olhos verdes.
Verdes como o mar e tão profundos como os oceanos.
Neles navegaram piratas, golfinhos, submarinos, tubarões...
Mar revolto de ondas gigantescas, marés baixas que quebram com uma  espuma tal qual  a orla de um  véu de noiva.
Rapidamente eles se enchem de lágrimas que deslizam por suas faces rosadas, tão livres como rios e molham sua blusa de marca desconhecida.
A alma rasgada pelo pranto traz soluços  numa enxurrada de palavras entrecortadas entre a razão e desvario de uma mãe.
Olhos verdes que se arregalaram ao sentir as dores de um
parto normal.
Lágrimas de alegria ao ver em seus braços seu filho recém nascido.
A partir daí sua vida foi transformada em momentos de alegrias, expectativas, ansiedades, medo.
Agora seus belos olhos verdes só choram de tristeza, de amargura ao sentir o cheiro forte do "baseado".
Mãe, de belos olhos verdes, que choram por um filho viciado.
Fátima Silva
11/09/14


MUDANÇA

MUDANÇA
As pedras do caminho luziam de tantas
caminhadas
procurando rumos de estradas, becos, vielas, avenidas.
A poeira sobre os móveis mostravam o descaso com os cômodos
tão conhecidos marcados por histórias tão antigas.
Sobre a colcha de retalhos o travesseiro dobrado ao meio
e a fronha encharcada de lágrimas que já não fazem sentido
chorar. Chorar por que mesmo? Ou por quem?
O calendário  na parede que  há anos não é trocado a folhinha,
onde se vê círculos em números que já foram datas importantes festivas outras tristes.
No armário de portas semi abertas roupas com modelos de épocas tão distantes e outras já tão surradas devido ao uso contínuo, que toma a forma do corpo.
Os sapatos  de solados gastos com restos de terra seca,
lama endurecida.
Das brechas das paredes algumas formigas fazem um caminho
em direção a um minúsculo pedaço de pão endurecido,
caido  embaixo de uma mesa de tábua sem brilho.
Ao redor vê-se cadeiras onde houve não sei que tempo,
rodas de amigos.
Amigos que riam alto e falavam em vozes estridentes histórias
pitorescas acompanhadas de piadas "apimentadas" ou cantavam canções melodiosas.
Sobre a mesa vários livros empilhados, há também papel, caneta e um bloco de anotações.
No bloco há algumas anotações e ao lado a palavra "MUDAR".
Está ao lado de vários itens.
O primeiro item está escrito em letras de forma e diz assim:
- CAMINHO.
Fátima Silva
11/09/14




quarta-feira, 9 de abril de 2014

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Recomeçar,
Reiniciar, reinventar.
Início de uma nova fase, nova etapa.
Nova caminhada.
antigo caminho,
Mas trato de não me deter.
Vejo pedaços de projetos espalhados no ar,
Tão vazios.                                                                                                                                                  Alguns realizados, outros incompletos.
Gosto de vitória,  misturados com lágrimas  muito amargas.
O sentimento saudade se aproxima e recolho alguns fiapos e, coloco
na minha mala de lembranças.
Escuto vozes do passado distante.
Naquela estrada eu sou menina, de olhos grandes
Sonhadores.
Na outra estrada  a mulher madura.
Que pisou em lama mais também voou em nuvens de sonhos.
Pontilhados com gotas de orvalho e raios de sol ao entardecer.
Os passos são firmes,  não rápidos.
A pressa se esvai num sopro que são levados
Juntos com as angústias, frustrações, mágoas.
Estas foram cauterizadas com as experiências da maturidade.
 Novo caminho com pedras enormes onde posso sentar.
Outras são pequenos cascalhos.
À sombra da realidade viva e constante. 
Vejo pontes e laços que me auxiliam com abraços fraternos.
Ombros amigos.
Recomeço.
Sem olheiras de noites insones.                                                                                                                    Atitudes formadas
Pontilhadas com gotas de suor.
Ao atirar bem longe as amarras que aprisionaram sonhos.
Onde a razão subjugava os sentimentos.
E  lá longe não muito longe encontro a liberdade de braços abertos
Acenando e dizendo: Vem!                                                                                                                        O  gozo de missão cumprida.
Escuto o som da página virada e como um céu estrelado
Vejo escrito no início três palavras:
OTIMISMO,
ALEGRIA,
E AMOR.
Fátima Silva
                                                                                                                                                                                                                                                                        

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

REVISANDO O BÊ-A-BÁ

REVISANDO  O  BÊ-A-BÁ
Foi com emoção que fiz a revisão do livro PEQUENOS ESCRITORES  ESCREVENDO GRANDES ESTÓRIAS.
Senti o suspense  em AS AVENTURAS DO SUPER- HERÓI  escrita por  Alan  da Silva Moreira.
Vi a tristeza do  motorista José,  ver ser ônibus quebrado  no conto  de Otávio Barbosa com o título O ÔNIBUS E OS PASSAGEIROS.
Vê a bondade de Ruth e a hospitalidade de Ariele  ao irem morar juntas  em O CASTELO DE DIAMANTES de Lívia Rodrigues de Araújo.
Que emocionante a competição do Tigre e o Leão em A SELVA de Lucas Fernandes Feliciano.
Oh! que delícia o encontro  no canteiro de rosas  do BEIJA-FLOR E A ROSINHA  escrito por Adryelle Bezerra Gomes.
Mariana Clara Macedo   da Silva  nos levou a um baile com duas lindas  bailarinas chamadas Mariana e Tara no seu conto A BAILARINA MARIANA.
O  pai de   Lucas vestido de Papai Noel em NOITE DE NATAL de Eduardo  Kaio da Costa Sousa.
Mário Adriel Marques  de Sousa nos mostra em O PRESENTE DE NATAL  a lição que aprenderam  Juan e Lício os amigos de Lilica.
A doçura de Maria Eduarda Marcos Pereira relatando a magia de sua estória A PRINCESA ENCANTADA.
Sem contar com a deliciosa APRESENTAÇÃO da professora Rosana Rodrigues nos levando para os lugares “ONDE SÓ VAI QUEM SABE LER”.
Revisar o trabalho literário desse  livro foi como  VER  o azul do mar, sentir o AROMA das flores,  OUVIR o canto dos pássaros,  TOCAR na maciez  de um ursinho de pelúcia  e  COMER algodão doce com esses pequenos escritores, juntamente com nossa querida professora Andréia Barros.
Fátima Silva

Escritora, revisora  e membro da  Academia de Letras e Artes da Sociedade de Assistência aos Cegos- ALASAC.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

A MULHER ROSA

A MULHER ROSA

As pétalas esfarelam nas mãos da mulher.

Deixa exalar seu perfume .

Sem se importar com a violência sofrida.

Os espinhos rasgam as mãos.

Que tentam sufocá-la.

Quem sabe...

Amordaçá-la.

Lágrimas escorrem sobre o rosto da mulher.

Seu corpo também está machucado

Há cicatrizes profundas.

Também há meros arranhões.

Nada que uma pincelada de mertiolate não cicatrize.

O vento sussurra em seus ouvidos

Abafa os gritos de sua alma angustiada,

Machucada...

Esmaga a rosa em suas mãos.

Resta ainda uma pétala.

Fria.... sem vida.

A mulher escuta o seu coração bater.

Ela vive.

Respira profundamente

Olha o firmamento distante

Sente seus pés em terra firme.

A brisa vespertina.

O dia termina.

A rosa em suas mãos findou.

Sabe que tem uma longa trajetória.

Recolhe em sua lembrança o aroma da rosa

A maciez das pétalas

A dureza dos espinhos.

O odor do sangue.

Caminha lentamente.

Sente que tem uma longa caminhada pela frente que se chama

VIDA!

Fátima Silva

10.03.13


Com esse texto literário ganhei o primeiro lugar no concurso de poesia como membro da ALASAC no Instituto Hélio Goes, em março de 2013.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

EU,VOCÊS E A EMOÇÃO

EU, VOCÊS E A EMOÇÃO

(à Andressa, Bárbara, Raíssa, Camila e Rosana)


Autor:Paulo Roberto Cândido

No ar mais um programa, eu, vocês e a emoção.
Nele a música, a poesia, a notícia e os fatos são reais,
dizendo que na audiência fiel do agradecido coração,
em  nenhum roteiro a alegria ficará de fora jamais.

Andressa, Bárbara, Raíssa, Camila e Rosana Romão
nos deixaram apaixonados pela arte do rádio iluminado.
Com elas a nossa voz saiu firme e bem postada da escuridão,
colocando a inclusão social em sintonia com o amor comunicado.

A marca indelével do que foi produzido por  elas nas oficinas,
estará sempre presente em nossa lembrança, que a saudade  iluminará,
fazendo as  imagens do que ouvimos, aparecerem vivas nas nossas retinas,
mesmo que a cegueira nunca tenha revelado pra gente, tudo o que virá.

Agora somos vibrantes comunicadores do que trazemos na alma,
com a parceria que a Universidade Federal do Ceará tornou viável;
Cada palavra, cada som e todas as manifestações da nossa  palma,
serão elos curativos, para todo limite antes irremediável.

Desejamos acessar agora, o manancial comunicador que das meninas venham,
quando elas tiverem, brilhantemente, concluído o curso na formatura,
esperando que as informações amorosas, façam com que elas sempre tenham
a certeza de que vimos na mente, as silhuetas de tão belas criaturas...

Fortaleza, 25/11/2013


Esse texto literário foi uma homenagem as alunas do 6° semestre de jornalismo da UFC ao realizarem oficina de radiodifusão com os alunos da reabilitação do Instituto Hélio Goes.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

AMIGO VIRTUAL

AMIGO VIRTUAL
Respira,  suspira,  inspira.
 Comenta,  partilha,  curte.
Publica versos, conta piadas.
Restaura   forças.
Fortalece a fé.
Comemora alegrias.
Celebra notícias.
 Jogos  e   aplicativos.
Caretas,
facetas de casos e “causos”.
Histórias nacionais, internacionais.
Horas  velozes medidas em kbyte
mega  bytes.
Olhos e dedos captam anúncios, sorrisos.
Bocas e lágrimas.
A tela fria nos engole e o bate papo afoga.
Sentimentos vazios e distantes.
Mostrados em carinhas  com nossos risos.
Letras que  substituem nossas risadas.
A vídeo chamada nos torna impessoal.
Trejeitos arranjados de olho na câmera.
As fotos com close no riso maroto ou,
poses estudadas.
Do outro lado a dor  está
Off line.
 Amargura escondida
 na lágrima que escorre
e molha o teclado.
Tenho pressa .
Não lembro o calor do abraço.
O  perfume.
A  essência, o hálito,
A voz embargada, o fungar do nariz.
A distancia encolheu a ausência.
Dissipou no espaço a saudade.
Mãos dadas e abraços apertados.
Clicados  na pose, na foto.
Do perfil sorridente.
Tão solitário
Como o satélite no espaço sideral.

Fátima Silva

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