quinta-feira, 12 de março de 2015

FRAÇÃO DO TEMPO


Dias cheios de sol e noites enluaradas.
Outros com muitas chuvas e noites escuras e frias.
Dias  cheios de alegria às vezes cortado por
um momento de angústia, um soluço engasgado
com o nariz a escorrer a coriza pertinente.
Mês de "aperto" financeiro, noites insones.
Os dez dias de férias merecidas que transporta sonhos
que vão se realizar numa praia distante ou na serra,
na visita aos familiares que moram no árido sertão.
Mês de mormaço, de noites indolentes de céu
bordado de estrelas como um manto de um rei
distante que dorme sobre fofas almofadas tecidas em cetim.
Ano da chegada do primeiro filho ou quem sabe do primeiro neto.
Da festa de casamento do noivado demorado.
As chaves do apartamento que felizmente foram entregues
ao proprietário agastado pelo tempo de atraso.
Ano do término da faculdade e o início no ensino infantil.
Da separação do casal quase perfeito.                                                                                                       A  comemoração das bodas de ouro dos avós com juras de amor eterno.
A risada prolongada e o choro descontrolado.
O olhar de amor eterno dos enamorados.
O espasmo da dor do ente querido que se foi
de repente numa fração de segundos.
Meses que voam, dias de agenda lotada.
Compromissos adiados por uma tarde no balanço de uma rede.
Anos de boa colheita de inverno rigoroso com lavouras exuberantes.
Noutros  a terra seca levanta a poeira onde
os leitos dos rios se tornam desertos rodeados por esqueletos
de bichos e plantas.
E no relógio do tempo aparece sorridente por um fugaz momento
a impetuosidade  dos que vivem uma paixão.
Tempo marcado também pela dor da saudade do amor perdido
nos entretantos da vida levados num vendaval de lágrimas.
Fração de tempo onde brota e fenece a vida.

Fátima Silva
24/02/15


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