quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

SENHORITA PONTES

Não lembro o mês, muito menos o dia. Quando você ligou e disse: - Tia Fátima, cadê a Angélica? Naquele exato momento se formava um canal de benção. como seu sobrenome: Pontes. As pontes da amizade, da confiança, da auto estima. Pontes que dão acesso a várias vertentes. Da empresária Alecrides Pontes. A menina travessa quando lhe perguntam: - Tá fazendo o quê, Crisinha? A determinada corredora de rua. Gargalhadas entrecortam seu cotidiano. Em oração sempre tem uma lágrima a rolar sobre seu rosto. Essa ponte está ligada com o céu. ... Tenho o alfabeto inteiro para escrever belas palavras. Vou resumir em apenas uma. Gratidão. Sou grata como mãe. Pelo carinhoso e respeitoso Tia Fátima. Pela troca de orações Os momentos festivos. Sem esquecer a ponte que Deus construiu Com registro celestial, devolvendo minha visão na data do seu aniversário. Fátima Silva 29/12/15

sábado, 26 de dezembro de 2015

O POETA E O PALHAÇO



ESTES SÃO UNIVERSAIS
O PALHAÇO E O POETA
OS DOIS SÃO, POIS, GENIAIS
A POESIA E A ALEGRIA
ESTAS SÃO FUNDAMENTAIS
O POETA? É QUEM ESCREVE
ATRAVÉS DA INSPIRAÇÃO!
SENTE, OUVE E CONCRETIZA
DIVINAMENTE A MISSÃO
DE TRANSMITIR OS SENTIMENTOS
ATRAVÉS DO CORAÇÃO
O PALHAÇO É A ALEGRIA
MAIS TAMBÉM É EMOTIVO
É ALEGRE E DESPOJADO
E É MUITO EXTROVERTIDO
SENTE A TRISTEZA E NÃO PODE
TRANSMITIR O QUE É SENTIDO
O POETA” NÃO PRECISA”
TER ESTUDO OU SER FORMADO
E ASSIM MESMO QUE TENHA,
O ESTUDO DESEJADO
EM SUA CRIAÇÃO PODE
SER MESMO SIMPLIFICADO
O PALHAÇO É ANDARILHO
DE CIRCO, DE PRAÇA OU RUA
DE FEIRA, ÔNIBUS OU TEATRO
QUALQUER LUGAR É CASA SUA
QUALQUER GALPÃO ELE MORA
E A VIDA CONTINUA
O POETA? É ADMIRADO!!!
É ENTÃO OVACIONADO
É APLAUDIDO POR MUITOS
E ATÉ MESMO AMADO
A DISTÂNCIA OU MUITO PRÓXIMO
O POETA? É ACLAMADO.
O PALHAÇO? QUANDO MUITO
É DO CIRCO A ALEGRIA
QUANDO É A ATUAÇÃO
PRINCIPAL QUE ANUNCIA
MUITOS GOSTAM SIM, DELE,
SOMENTE NAQUELE DIA
O POETA? É O MÁXIMO!!!
UM ARTISTA MUI POMPOSO!
É POIS ASSIM “INVEJADO”
UM TANTO GLAMOUROSO
O POETA É PORTANTO
INTELIGENTE E RESPEITOSO
O PALHAÇO E O POETA
SÃO MESMO EXCEPCIONAIS
UM É INSPIRADO
O OUTRO INSPIRA DEMAIS
EU ATUO COMO OS DOIS
NÃO DEIXAREI DE SÊ-LOS JAMAIS!

Autor: Antônio Marcos Bandeira
Fortaleza - Ceará - Brazil

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

QUATRO CRIANÇAS E SUAS HISTÓRIAS


    Convidamos as crianças Ana Mirela, Lívia Ticiane, Maria Isadora e Maria Eduarda para uma atividade na Biblioteca Braille Josélia Almeida. As crianças estavam acompanhadas  de sua professora Janayna e do professor George.
    Na biblioteca um convidado esperava  as crianças, era o ilustrador João Evangelhista. A professora Andréia fez as devidas apresentações. Então a professora Janayna iniciou a leitura do livro Alice no País das Maravilhas. Um coelho adentrou na sala com passos rápidos de olho no seu relógio, estava atrasado para algum compromisso. De repente a sala da biblioteca ficou inundada com as lágrimas da Alice.
   A professora Andréia muito preocupada com tantas lágrimas que já formava uma piscina, inundando a sala, pediu para o professor George:
   - Professor, faça alguma coisa! Nossos livros vão ficar todos molhados.
     O professor George começou a cantarolar uma bonita  canção que ia ser gravada para formatura das meninas  que vão se formar no ABC. Então, Isadora, Lívia, Eduarda e Mirela, juntamente com o ilustrador João Evangelista e as professoras Janayna e Andréia, começaram a cantar.  O coelho desapareceu e as lágrimas de Alice secaram.
   E todos foram felizes para sempre!
Fátima Silva
 

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

SETE CRIANÇAS E SEUS BICHINHOS DE ESTIMAÇÃO

   Temos como tema para o projeto do primeiro livro do ensino infantil ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS.
  Esse livro é um clássico da Literatura Infantil e foi escrito à cento e cinquenta anos, ou seja no século XVIII. Alice ao sonhar com o país das maravilhas conversou com vários bichos, o primeiro deles foi com o coelho e daí vieram o porco, a tartaruga, a lagosta.
   Os alunos do primeiro ano também criaram histórias onde  temos macacos, cachorros, pássaros, gatos, esquilo, cavalo e elefante.
   O Danilo criou uma história de um cão e seu dono chamado João. E o Josué escreveu sobre Levi o menino que sonhava em ser um jogador de um grande time.
   O livro Alice no País das Maravilhas, já está há bastante tempo nas bibliotecas do mundo inteiro e a cada ano é traduzido para vários idiomas com milhões de interpretações e publicações.
   Hoje dia 11 de dezembro de 2015, o Instituto Hélio Góes encerra suas atividades escolares. E com chave de ouro, prestigia aos pais, a direção, a coordenação e o corpo docente de professores, com o lançamento do livro: SETE CRIANÇAS E SEUS BICHINHOS DE ESTIMAÇÃO.
    Hoje mesmo esse livro estará na Biblioteca Braille Josélia Almeida lado a lado com os clássicos da Literatura Infantil.
    Nesse livro Josué, Danilo Wevergton, Gabriel, Leonardo, Aisha e Josias, presenteia a literatura infantil com suas histórias e também com suas biografias.
    Sinto-me honrada em participar desse projeto e que nossas crianças venham a serem estimuladas para criarem mais e mais histórias como essas que estamos lançando hoje.

Fátima Silva
Apresentação do primeiro livro da turma do 1o. anoA professora Ceiça Lopes do Instituto Hélio Góes-Sociedade d
e Assistência aos Cegos
 

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

NATAL NO NORDESTE


É NATAL! CANTAMOS ALELUIA!
CRISTO, O NOSSO SALVADOR NASCEU.
TAMBÉM NA SEQUIDÃO DO SERTÃO.
NOSSO MATUTO CABRA DA PESTE.
BEBE UM GOLE DE "PINGA"  EM SEGUIDA
UMA CUSPARA DE FUMO VINDO DE  ARAPIRACA.
TROCA O GIBÃO DE COURO PARA VESTIR ROUPAS VERMELHAS
DE PAPAI NOEL.
LARGA O CHAPÉU DE PALHA, PARA USAR
O GORRO VERMELHO COM ENFEITES DE ALGODÃO.
NO SACO QUE TROUXE O AÇÚCAR PARA O ARMAZÉM DA ESQUINA
COLOCA OS BRINQUEDOS DA CRIANÇADA.
QUE BRICAM DE CIRANDA EM VOLTA DO MANDACARU.
ENFEITADO COM ARRANJOS NATALINOS.
QUE COM CERTEZA É A MAIS BELA ÁRVORE DE NATAL,
DE TODA REDONDEZA, QUIÇÁ, A MAIS BELA DA DISTANTE E FRIA EUROPA
E DE OUTROS CONTINENTES.

NA SALA DE BARRO BATIDO ESTÁ MONTADO O PRESÉPIO.
COM FIGURAS DE CARNEIRINHOS, OS TRÊS REIS MAGOS,
A MANJEDOURA COM O MENINO JESUS SORRINDO.
MARIA, A BENDITA ENTRE TODAS AS MULHERES AO LADO DE SÃO JOSÉ.
NO ALTO A ESTRELA GUIA FEITA COM PAPEL DOURADO.
QUE BRILHA À LUZ DO LUAR SEM CONTAR O BRILHO
DOS OLHOS DO POVO SIMPLES ACOSTUMADO COM
O SOL QUE DE TÃO QUENTE FAZ RACHADURAS NA TERRA.
MAIS A NOITE A LUA SE DERRAMA EM CLARIDADE
ACOMPANHADA DO CÉU ESCURO COMO BREU ENFEITADO
COM O BRILHO DAS ESTRELAS.

É NATAL É NATAL!
NO SERTÃO DO NORDESTINHO.
A CEIA PREPARADA COM O PERU CRIADO NO TERREIRO.
COZIDO NA PANELA DE BARRO MEXIDO COM A COLHER DE PAU
COMPRADAS NA FEIRA PARA ESSA DATA TÃO ESPECIAL.
TEM FAROFA DE CUSCUZ, CASTANHA DO CAJUEIRO,
O DOCE DE MAMÃO COM CÔCO.
TUDO ISSO REGADO COM UMA BOA CACHAÇINHA,
LICOR DE GENGIBRE E MOCORORÓ DE CAJÚ.
CIGARRO FEITO COM FUMO DE ROLO.
AS CANTORIAS DOS CONGOS E FOLIAS DOS REISADOS.
O TOQUE DA VIOLA FAZEM COM QUE OS RAPAZES E AS MOCINHAS
TROQUEM OLHARES MELOSOS E UMA QUENTURA NO CORAÇÃO,
POIS O CUPIDO TAMBÉM ATUA NO AGRESTE DO SERTÃO.
EM CADA RISO A ESPERANÇA DE UM BOM INVERNO.
QUE TRAGA MUITA FARTURA NOS ROÇADOS DE MILHO E FEIJÃO
NO ANO QUE SE APROXIMA.

FÁTIMA SILVA
Essa poesia foi publicada na Revista Varal do  Brasil -Edição de Natal.
Genebra - Suiça



.


segunda-feira, 30 de novembro de 2015

LÁGRIMA

Escorre molhando todo rosto.
Um soluço e rompe o pranto
represado pela mágoa, dor física ou emocional.
Em momentos de alegrias elas
teimam e escorrem sobre o rosto ou deixam os olhos
com um brilho especial.
Ela vem rasgando o peito quando a lembrança                                                                                    traz uma mala cheia de saudades.
Histérica quando sem aviso prévio a dor da
perda do ente mais querido ou,
do nosso bichinho de estimação.
Alguns conseguem reprimir o choro,
engolem o gosto amargo disfarçando com
um sorriso nos lábios trêmulos.
Mãos e olhos na prece de olhos fitos
no sobrenatural que crê.
Já que todas as chances naturais
se esvaíram nas portas fechadas e
repetidos nãos lhe consumiram a esperança.
Ao nascermos o choro ecoa
como grito de vitória.
Quando a morte  surpreende,
ela escorre pelo cantos de olhos
perplexos com a rapidez
que constrói uma história.
Alguns deixam rios de lágrimas entre
os parentes e aderentes, amigos, conhecidos
numa rápida oportunidade.
Outros ouve-se apenas um soluço,
precedido pelo barulho seco da areia fofa.
Onde a terra de boca aberta toma posse
do que a natureza lhe entrega a
se tornar pó.
Cumprindo o ciclo natural da vida.
Fátima Silva
30/11/15

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

MINAS GERAIS X PARIS


A lama,
O  tiro.
O grito.
Meu Deus!
Mon Dieu!
A dor que aperta o peito, sufoca o medo.
A represa rompe.
O rio Doce.
Se torna lama.
Mon Dieu! A bala que rasga o peito.
Que represa a lágrima.
O som das bombas interrompe a dança.
Os corpos bailam na macabra dança da inundação.
E o grito dos peixes alguém ouviu?
O canto dos pássaros é contido pela força da lama.
Paris iluminada pelas balas de faces brutais.
A sirene ecoa, os corpos caídos.
Com olhos vítreos, expressão de terror.
A lágrima na face com lama.
Sobre o céu do Brasil a barragem da ganância
que mata o rio.
As luzes de Paris ofuscam o sangue de vítimas e algozes
estilhaçados pela ideologia do massacre.
Enquanto em Minas, se grita:
Oh meu Deus!
Paris assustada geme:
Mon Dieu!
Como medir tamanha dor?
Porque morte traz choro,
não importa o idioma.

Fátima Silva
16/11/15

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

MARCAS DO TEMPO

Estive estes dias olhando no túnel de minha memória, passando
como na tela de um filme muitas das coisas que eu vi e vivi, em
todos estes meus anos.
Eu vi o pobre ficando rico, e vi o rico ficando pobre,
Eu vi a tecnologia unindo as pessoas de longe, e vejo a mesma tecnologia separando as pessoas de perto,
Vi pessoas inteligentes sendo dominadas, e vejo os ignorantes e astutos dominando,
Vi o homem gastando sua fortuna para chegar a lua, e explorar planetas distante, mas não conseguem chegar a casa do necessitado e aflito que estão perto.
Vi uma pessoa inspirar e transformar uma nação, vi também uma pessoa revoltar e destruir uma nação,
Vi a lágrima derramada pela alegria do nascimento, vi a lágrima derramada pela tristeza da morte,
Vi pessoas enfrentando a vida como se estivessem mortas, mas presenciei pessoas enfrentando a morte como se nunca morressem.
Vi o amor eterno passando como uma estrela cadente, e vi o amor passageiro ficando pra sempre,
Vi o que o ódio e o rancor são capazes de fazer, mas também vi o que o amor e perdão são capazes de superar.
Vi o orgulho e a presunção destruindo pessoas que pensavam estar em pé, mas vi também a humildade e devoção levantando pessoas caídas,
Carrego hoje em mim as marcas de todas aquelas coisas que presenciei, mas entro nos próximos anos não trazendo as dores e angustias das coisas que vi, mas sim a esperança daquilo que eu ainda não vi.
Eu nunca vi a pessoa que serve a Deus ser desamparada .
Eu nunca vi Deus mentir ou voltar atras com sua promessa,
Nunca vi o mal terminar vitorioso, e nem o que pratica a bondade ser esquecido.
*Autor Desconhecido

*

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

DOCES LEMBRANÇAS II


   Meu pai quando chegava do trabalho, trazia um jornal debaixo do braço. Tanto ele como minha mãe sabiam ler e escrever, e hoje me pergunto dá onde eles tiraram o gosto pela leitura? Minha avó paterna lia o jornal e o livrinho de suas orações, minha avó materna era analfabeta e meu avô materno sabia ler e escrever.
   Éramos seis filhos, todos foram para escola sabendo ler e escrever. Meu pai mandava que lêssemos pequenos artigos dos jornais, para saber como estava o nosso desempenho na escola. Fazíamos cadernos e cadernos de caligrafia para que tivéssemos letra legível.
   Aprendemos a separar as sílabas e soletrar, e não era como no Soletrando do Luciano Hulk, era soletrar sílaba por sílaba, até formar a palavra. Os verbos da 1a.
conjugação escrevíamos páginas e páginas do caderno com todos os tempos verbais. Lembro que minha professora para ensinar redação levava uns cadernos com figuras ampliadas, então narrávamos o que víamos, aprendemos a escrever cartas, bilhetes.
   Nas quinzenas meu pai trazia além do jornal, revistas em quadrinhos para nós e para mamãe, a revista O Cruzeiro. Comprava também uns livrinhos de contos de fadas das Edições Melhoramentos. Ele e minha mãe selecionava o que devíamos ler tanto nos jornais como na revista O Cruzeiro. Meu pai gostava de romances e tínhamos à mão O Conde de Monte Cristo,O Homem da Máscara de Ferro, sem contar a revista Detetive que somente quem lia era nossos pais.                                             Minha mãe se aborrecia quando meu pai bebia e a chamava de duqueza Danglais, personagem do livro O Conde de Monte Cristo. Não tínhamos autorização para ler o romance mais nossos pais comentavam sobre o livro e todos sabíamos sobre o infortúnio de Edmond Dantès.
   No domingo (25/10/15), ao fazer a prova de redação do ENEM me reportei a todos esses conceitos educacionais que recebi no seio da minha família, fui envolvida por um nervosismo por conta da baixa visão e também para um passado tão distante onde não havia tecnologias e metodologias na educação. O que havia era uma palmatória tanto em casa como na escola. Não sei se irei alcançar uma boa pontuação na redação que fiz, porém, os conceitos de uma dissertação aprendi há muitos anos atrás.
   Agradeço a Deus pela vida dos meus pais, pelas vezes em que eu e meus irmãos apanhamos para estudar, pelas advertências no nosso comportamento e no respeito aos idosos, enfim, meu Deus, muito obrigada de ser filha de RAIMUNDO JOSÉ DA SILVA e de MARIA AUGUSTA DA SILVA.
   Fátima Silva
   Escritora, membro da Academia de Letras e Artes da Sociedade de Assistência aos Cegos-ALASAC.
   02/10/15

sábado, 31 de outubro de 2015

DEUS TÁ IN TUDO QUE É CANTO

Deus tá in tudo que é canto 
No canto dos passarim
No canto duma criança
Nos canto pelos camim
Deus tá na muié buxuda
Insperano os bruguelim
Deus tá no canto dos óio
Dos cegos que rê além
Deus tá no canto dos mudo
Que mudo cantam tumém
Deus tá nos que num escuta
Mair sabe dizê amém!
Deus tá nas forma das letra
Dos cego que eles nos trais
Deus tá no canto dos pasro
Nos canto de vida e pais
Deus tá na rida das rida
Que ELE muda demais
Deus tá in tudo que é canto
Nos canto da natureza
Deus tá no canto dos home
Que cantum cum tanta beleza
Deus tá na rida dos jove
Na casa que num é fortaleza
Deus tá in tudo que é canto
No canto das prantação
Deus tá in quorqué pessoa
Que dento do seu coração
Tenha o Sinhô Jesuis
Cumo seu Sinhô e Luz
O seu Deus da salvação!
Cordel de autoria de ANTÔNIO MARCOS BANDEIRA-FORTALEZA-CEARÁ-BRAZIL

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

SEIS ANOS DE VARAL DO BRASIL EM CORDEL!


SEIS ANOS DE MUITO ESFORÇO
DE SONHOS DE ESPERANÇA
SEIS ANOS DE MUITAS LUTAS
SEIS ANOS COM CONFIANÇA
SEIS ANOS DE MUITA HISTÓRIA
SEIS ANOS DE MUITA LEMBRANÇA
SÃO SEIS ANOS DE VARAL
SEIS ANOS DE PUBLICAÇÕES
SEIS ANOS DE LITERATURA
SEIS ANOS DE MOTIVAÇÕES
SEIS ANOS DE ALEGRIA
DE CORRERIA E AÇÕES
SÃO SEIS ANOS INTENSA
VIDA DE LITERATURA
SEIS ANOS DE ORGANIZAÇÃO
SEIS ANOS DE AVENTURA
SEIS ANOS DE MUITOS POEMAS
DE VERSOS E DE LEITURA
SEIS ANOS DE MUITAS HORAS SÃO SEIS ANOS DE ESCRITA
SEIS ANOS NO COMPUTADOR
SEIS ANOS DE MUITA REVISTA
ESPALHADA MUNDO Á FORA
SEIS NOS DE REESCRITA

SEIS ANOS DE PRODUÇÕES
SEIS ANOS JÁ SE PASSARAM?!
SEIS ANOS DE MUITA FESTA
PROJETOS QUE EM NÓS DEIXARAM
SEIS ANOS DE FELICIDADE
SEIS ANOS QUE NOS MARCARAM
SEIS ANOS DE VARAL DO BRASIL
SEIS ANOS ABENÇOADOS!!!
SEIS ANOS DE DISCUSSÕES
SEIS ANOS BEM PLANEJADOS
SEIS ANOS DE ATIVIDADES
SEIS ANOS BEM EXECUTADOS.
PARA O VARAL DO BRASIL
DESEJAMOS SEIS MIL ANOS
SEIS SÉCULOS DE PUBLICAÇÕES
CONTINUEM COM ESTES PLANOS
DE PÔR A LITERATURA
NO ÁPICE DA CULTURA
É QUE NÓS ALMEJAMOS
Cordel de autoria de ANTÔNIO MARCOS BANDEIRA-FORTALEZA-CEARÁ-BRAZIL

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

ABELHA


ELA ZUMBE EM VOLTA DA ROSA.
O VENTO BALANÇA A ROSA,
QUE EXALA PERFUME
NÉCTAR DO MEL.
SINTO UM SUSSURO AO OUVIDO
VOCÊ FALA ALGO QUE NÃO ESCUTO.
DEDUZO: - EU TE AMO!
PRFUME DE ROSA
COM CHEIRO DE LAVANDA
ESCUTO UM ZUMBIDO
NA JANELA.
A ABELHA BATE NA VIDRAÇA,
E EU FECHO OS OLHOS
PARA RETER MEU SONHO
COM CHEIRO DE LAVANDA.

FÁTIMA SILVA
ESCRITORA, MEMBRO DA ACADEMIA DE LETRAS E ARTES DA SOCIEDADE DE ASSISTÊNCIA AOS CEGOS-
ALASAC.
22/10/15

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

MAL TRAÇADAS LINHAS


   Nesse exato momento as palavras deixaram a escritora e acadêmica Fátima Silva em silêncio.
   Não é um silêncio fúnebre ou estático de olhar o vazio, de se sentir perdido.
   Faço mentalmente um minuto de silêncio na minha mente em homenagem aos professores do Instituto Hélio Góes.
   Algumas pessoas nos classificam como especiais, por conta das  nossas deficiências visuais. Discordo dessas pessoas, pois ao longo desses nove anos que convivo nessa escola, lhes digo com toda sinceridade, "eles" é que são especiais. Sim, eu repito são especiais, sabe por que?
   Porque eles, (os professores) não só ensinam, eles vivem o Amor. Não é esse amor propagado na mídia, não, com certeza não é. O Amor que vivemos e sentimos aqui nessa escola emanados por nossos professores, tem cheiro, tem sabor, tem afago e ouvidos atentos a qualquer sussurro seja ele qual for, vindo de qualquer direção.
   Tudo começa com a doutora Claúdia Holanda, Assistente Social, que ao chegarmos aqui ela já nos envolve numa conversa gostosa nos mostrando que podemos abrir nossos horizontes mesmo com nossa limitação visual. Então vem a nossa querida secretária Conceição Crus nos mostrando que estamos nos matriculando numa escola que vai trabalhar em cima das nossas necessidades visuais. Aí no Ensino Infantil, no Fundamental I e II, no Polivalente encontramos Professores como: Professora Lana, Gabriel, Welligton Janaína, George, Priscila, Anny, Ceiça e Kátia Aquino.
    Esses anjos estão sob a coordenação e direção das Professoras Juliana Claudio, Professora Rutilene e Luisa Emília. Temos também a Terapeuta Ocupacional doutora Lúcia Linhares e a Fonaudiológa doutora Marcília.
   A Reabilitação que é uma turma adulta encontra os ouvidos atentos do Professor Rocélio e da Professora Luiza Kátia nos levando ao mundo da música e do canto. As mãos habilidosas da Professora Aurinete de Aguiar nos ensinando a trançar belos artesanatos. Professora Claúdia, Professora Julilda, Professora Valdênia  que abrem nossos olhos para uma nova forma de escrita e leitura: O Braille.
   Estamos numa época de plena evolução tecnológica e para isso temos o Professor Paulo Roberto, nos levando ao mundo virtual através do programa DOSVOX. Para enfrentarmos nosso dia-a-dia contamos com as aulas de Orientação e Mobilidade do Professor André Frota
e as aulas de  esportes com o Professor Vicente Cristino. A Professora Naizete Marinho com suas colaboradoras Vivia e Mônica nos levando ao mundo da dança onde nossos pés levam cultura, diversidade de rítmos, atiçando nossa coordenação motora e sensorial.
   Para encerrar essa breve homenagem me detenho na Biblioteca Braille Josélia Almeida onde a Professora Andréia Barros nos põe nas mãos livros em Braille, em áudio, em tinta para que possamos ter acesso a leitura de um bom livro. Desculpem vou repetir dois nomes, a Professora Andréia e o Professor Paulo Roberto que com entusiasmo regem como bons maestros que são a nossa Academia de Letras- ALASAC.
   Desculpem as mal traçadas linhas porque gostaria de um oceano de palavras bonitas, um roseiral para enfeitar esse dia, uma lua cheia para brilhar sobre a vida de vocês e vestir cada um com  tecido bordado de estrelas e compor uma música para ser executada por uma orquestra de pássaros na manhã do dia quinze de outubro.
   Salve o Dia do Professor!
   15 de outubro de 2015.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

O BABAU QUE NÃO ERA MAU


Eram muitas vezes, em um lugar chamado Terra, que os adultos diziam
para as crianças: Se não estudar, o velho Babau vem e pega! Ou então, se
não comer toda a verdurinha do prato, vou chamar o velho Babau!
Não é à-toa que muitas crianças ficam com medo do Babau, que além de
mau é velho. Será que é por isso que os nossos idosos não são
respeitados? Viram "monstrinhos" no ideário infantil. As rugas, os
cabelos brancos e o jeito lento de caminhar, fazem com que os velhinhos
sejam desprezados? Ninguém nunca disse que o Babau era um jovem alto,
com músculos fortes e dono de uma justiça impecável. O papai e a mamãe
dizendo assim: Faça suas tarefas escolares com esmero, se não o jovem e
belo Babau virá para cobrá-lo; Ora, belo, jovem, justo e talvez,
também educado, quem não gostaria de ser cobrado por essa criatura? As
meninas até imaginariam um Príncipe e não ficariam receosas que os
adultos o chamassem: Vou chamar o Príncipe Babau se você não acordar
cedo para ir à escola. Melhor ficar dormindo e sonhar com a chegada do
Príncipe Babau.
Mas o Babau é um velho mau, que depois virou lobo mau, bruxo mau,
inimigo dos heróis e presente em diversas simbologias animadas em
desenhos, quadrinhos e estórias de trancoso. Dessa maneira, crianças
inocentes jamais aceitariam considerar velhinhos ou velhinhas como boas
criaturas. Não lembro de nenhuma fada com 70 anos e com a beleza
natural, sem as correções dos cosméticos ou tinturas capilares. Será que
o papel de Fada, princesa, Príncipe e herói, nunca caem bem para aqueles
com mais de 60? E a bondade só é característica de quem é jovial?
Meu Babau que não é mau, vem para cumprir a missão de transformar
toda a alegoria que fizeram com o velho Babau. Ele continua com os
traços de quem já tem uma certa idade ou seria, a idade certa pra
mostrar às crianças os valores da sabedoria, da experiência e das
histórias de vida pra contar? Não importa se o Babau é velho ou jovem, o
certo é que a figura dele deve ser mais respeitada pelos adultos.
Nos dias de hoje, uma família de porquinhos aparece na TV para
instruir os pequenos telespectadores sobre o certo e o errado. Quem
imaginaria que animais que gostam de lama e lavagem, seriam capazes de
assumir a função de bons orientadores? E por que não o meu Babau, que
não é mau, não pode aparecer também como símbolo de educador? O papai e
a mamãe, quando não se sentem fortes na tarefa de educar, às vezes, não
buscam no velho Babau a solução?
Era uma vez um escritor, em um lugar chamado Fortaleza, no Reino do
Ceará, que teve a ideia de desconstruir a representatividade negativa do
velho Babau e resolveu criar um velho, ou melhor escrevendo, um sábio
Babau, que do alto dos seus bem vividos 75 anos, espera ser chamado
pelas crianças para ensinar os adultos; Se não gerir com ética e
moralidade os seus atos, vou chamar o sábio Babau para lhe mostrar que
fim terá a sua história na eternidade! Isso dito por um menininho ou
menininha de 5 anos, imaginem só.
Como são adoráveis os velhos Babaus e até as velhas Babaus que
conheço e com os quais convivo! Todas as vezes que eles me pegaram foi
para o acalanto, para doar amor e repassar boas lições, para mostrar que
a pele enrugada é reflexo de compreensão encontrada. Na velhice
compreendemos melhor que a vida deve ser vivida com a emoção e a razão
compartilhando os valores do Céu.
Peço aos que me leem, que levem adiante a minha história do Babau
que não era mau, criando novos cenários mentais nas crianças da família
e do condomínio, conhecendo junto com elas, que velho não atrapalha,
velho sabedoria espalha.
01/10/2015
Esta é a minha respeitosa e amorosa homenagem ao dia internacional do
idoso.
Que todos nós sejamos um dia, um velho e bom Babau...
Paulo Roberto Cândido é ocupante da Cadeira 29 da Academia Metropolitana
de Letras de Fortaleza-AMLEF e da Cadeira 01 da Academia de Letras e
Artes da Sociedade de Assistência aos Cegos-ALASAC

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

INUNDAÇÃO DO AMOR


Debaixo do chuveiro
o casal se acaricia.
A água escorre sobre
seus corpos febris.
Que tremem diante da
explosão de desejos contidos,
reprimidos.
A  água não impede que seus
lábios suguem o sabor de
suas bocas sequiosas de amor.
Entre gemidos ele sente ser
inundado por um rio.
Enquanto ela foi invadida
por larvas de um vulcão
aprisionado nas nascentes grotas
escondidas entre
relvas gotejantes.
Atingidos pelo clímax do
amor lascivo.
Tocado por mãos exploradoras
que se misturam com a água do
chuveiro e as do desejo
saciado.
Fátima Silva
12/09/15

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

A CARTA

Ela esta ali no meio de muitos
papéis, boletos, contas a pagar.
O envelope se destaca com
as cores verde e amarela.
Já li e reli várias vezes.
Cada vez que leio me assusto.
As letras dançam  diante dos meus olhos
marejados de lágrimas.
Há quanto tempo não se escreve cartas?
E as redes socais, com seus bate papos, o celular e wahtSapp?
Voltei a ler a carta, estava lá escrito em letras legíveis
o fim de um sonho, de um amor, com juras de ser eterno.
Uma lágrima caiu e borrou algumas letras.
Lendo agora a carta manchada, ela perdia
o significado de muitas coisas.
Num movimento súbito e de alívio.
Joguei a carta dentro de um copo com água.
Vi a água desmanchando as letras, o papel
antes amarrotado.
Se tornando numa massa disforme azulada.
A carta era o fim de um sonho.
Olhando o copo com água, enxuguei as lágrimas e,
dei um suspiro ao sentir naquele gesto.
A alma lavada dos sentimentos frágeis e inseguros.
om um simples copo com água,
Fátima Silva
14/09/15

terça-feira, 22 de setembro de 2015

O OLHAR QUANDO É CEGO


NÃO PERDE AS PAISAGENS DO CORAÇÃO
O AMOR QUE VEM ILUMINADO DO EGO
NÃO LIMITA O ALCANCE DA VISÃO
OS OUVIDOS QUE NÃO CAPTAM SONS
SÃO ESTIMULADOS PELA SONORIDADE DO VIVER
OS QUE APRENDEM LIBRAS COMO NOVOS DONS
ESCUTAM A VIDA COM A MELODIA DO SER
AS RODAS QUE VIRAM PERNAS A SE MOVER
TAMBÉM ENCONTRAM OS CAMINHOS PARA TRILHAR
ESPERANÇA ELAS TEM DE PODER COMOVER
AQUELES SEM LIMITAÇÕES PARA ANDAR
AS MENTES QUE TRABALHAM COM PLENITUDE
SEM NENHUMA DEFICIÊNCIA NO INTELECTO
PRECISAM DAR CARINHO COM ATITUDE
AOS QUE SÃO JULGADOS PELO ASPECTO
OS MUTILADOS QUE SORRIAM COM AMPUTAÇÕES
QUEREM MOSTRAR QUE OS MEMBROS QUE LHES FALTAM
SÃO OS BRAÇOS FORTES, PERNAS E TENDÕES
QUE OUTROS MOVIMENTOS DA ALMA ESMALTAM
AS BOLSAS EXCRETORAS QUE ESTÃO NAS CINTURAS
DEPENDEM MAIS DO OUTRO PRA SEREM ACESSÓRIOS
O PRECONCEITO É O MAIOR DEJETO QUE AS CRIATURAS
AINDA CARREGAM NOS OMBROS E SUSPENSÓRIOS
21 DE SETEMBRO É A NOSSA DATA PERFEITA
PARA QUE TODOS SE UNAM NESTA SEMEADURA
UM DIA CHEGARÁ COM A JUSTA COLHEITA
E TODA DEFICIÊNCIA ENCONTRARÁ UMA CURA.

Autor Paulo Roberto Cândido
Escritor, poeta, professor de Informática do Instituto Hélio Goes, membro da AMLEF-
Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza e presidente da ALASAC- Academia de Letras e Artes da Sociedade dee Assistência aos Cegos.

domingo, 20 de setembro de 2015

O RIACHO E A PEDRA


Eles são inseparáveis.
Dia e noite, com sol, com chuva.
Nas noites de luar ou completa escuridão.
Marés altas, baixas, ventos fortes ou calmarias
Ele, o Riacho, sempre levando
suas águas para o rio.
Muitas vezes faz uma parceria
com o vento então, os dois cantam, juntamente
com os pássaros.
Cantam em harmonia e as árvores balançam suas ramagens
deixando a Pedra extasiada diante de tão
belas declarações de amor.
O Riacho ternamente beija
sua amada Pedra com leves ondas de mornas águas.
A Pedra que parece impassível
pede as suas amigas árvores para
enfeitá-la com suas flores.
A Pedra envia também um recado
para o sol que derrame sobre ela
raios reluzentes.
A noite também eles fazem
um par perfeito, a lua com
cumplicidade espelha as águas
do Riacho sobre a Pedra.
De madrugada a Pedra abraçada
com o Riacho que transborda
águas sobre a relva..
São embalados pelos sons da natureza.
Então, Iara,
ressurge das águas do Riacho
e entoa seu canto sobre a Pedra que
geme de amor pelo Riacho.
Fátima Silva
Medalha de Ouro no Concurso de poesia promovido pela ALASAC
com o tema; ÁGUA
18/09/2015 

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

ELA ME FAZ ENXERGAR

  • ELA ME FAZ ENXERGAR E ATÉ MESMO VER SEM TATEAR, SEM BATER ANDANDO SEM PERCEBER OS OBSTÁCULOS? CALÇADAS? BURACOS? PROBLEMAS NA VIDA? O SENHOR NA LIDA ELA ME FAZ ENFRENTAR ELA ME FAZ ENXERGAR ELA ME FAZ ENXERGAR E ATÉ MESMO VIVER ELA ME FAZ ENTENDER UM POUCO DO IMENSO MUNDO DA NEGRITUDE PROFUNDO CINZA OU BRANCO BORRADO PONTOS QUE, AVIVADOS CRIAM VIDA A BRINCAR ELA ME FAZ ENFRENTAR ELA ME FAZ ENXERGAR ELA ME FAZ ENXERGAR E ATÉ MESMO VER ELA ME FAZ RENASCER ELA ME FAZ ENTRETER ELA ME FAZ VIVER ELA ME FAZ SONHAR E O SENHOR? NOS GUIA ELA É MINHA ALEGRIA ELA ME FAZ ENFRENTAR ELA ME FAZ ENXERGAR ELA ME TRAZ ALEGRIA ELA ME FAZ ENXERGAR ELA ME FAZ VIBRAR E COM O SENHOR ESTAR ME FAZ CONCRETIZAR E NA IGREJA ATUAR COM O SENHOR LOUVAR ELA FAZ REVERTER SITUAÇÃO QUASE PERDIDA ELA ME TRAZ A VIDA ELA ME FAZ ENXERGAR
Antônio Marcos Bandeira, professor de Português, poeta, cordelista, palestrante, esposo de Maria de Lourdes Fernandes, escritora, poeta, membro da ALASAC Academia de Letras e Artes da Sociedade de Assistência aos Cegos, cadeira 24 patrono Moura Brasil.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

AS BORBOLETAS




Brancas
Azuis
Amarelas
E pretas
Brincam
Na luz
As belas
Borboletas

Borboletas brancas
São alegres e francas.

Borboletas azuis
Gostam de muita luz.


As amarelinhas
São tão bonitinhas!

E as pretas, então
Oh, que escuridão!

Vinícius de Morais



quarta-feira, 19 de agosto de 2015

CASA ARRUMADA




Casa arrumada é assim:
Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa
entrada de luz.
Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não um centro cirúrgico, um
cenário de novela.
Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando os
móveis, afofando as almofadas...
Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo:
Aqui tem vida...
Casa com vida, pra mim, é aquela em que os livros saem das prateleiras
e os enfeites brincam de trocar de lugar.
Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições
fartas, que chamam todo mundo pra mesa da cozinha.
Sofá sem mancha?
Tapete sem fio puxado?
Mesa sem marca de copo?
Tá na cara que é casa sem festa.
E se o piso não tem arranhão, é porque ali ninguém dança.
Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da tarde.
Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante,
passaporte e vela de aniversário, tudo junto...
Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda.
A que está sempre pronta pros amigos, filhos...
Netos, pros vizinhos...
E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca
ou namora a qualquer hora do dia.
Casa com vida é aquela que a gente arruma pra ficar com a cara da gente.
Arrume a sua casa todos os dias...
Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo pra viver nela...
E reconhecer nela o seu lugar.


Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

POEMAS SALTITANTES

É assim a vida do poeta.
Como criança saltitando,
brincando pela estrada,
poemas surgem em sua cabeça...
rapidamente colocados no papel,
feito pipoca que pula na panela,
pulam para alegrar a vida das
crianças que aguardam sentadas no
chão para mais uma sessão.
É assim a vida do poeta...
saltitante,
brilhante,
emocionante.
Carmen Menezes
Membro da Academia de Letras e Artes da Sociedade de Assistência
aos Cegos- ALASAC
Cadeira no. 20
Patrono Antonio Bandeira


domingo, 2 de agosto de 2015

MÃOS GENEROSAS


   Não lembro qual dia da semana ela batia no portão da minha casa.
   Eu a conheci quando passei seis meses sem trabalhar porque minha filha ainda mamava.
   Solícita minha mãe ia até o portão e ambas conversavam, depois minha mãe entrava em casa e voltava com algum embrulho, se despediam às vezes em silencio. Dona Helena era o seu nome, tinha vários filhos (não lembro quantos), trazia no colo uma menininha da idade de minha filha. Se queixava de dores no peito, tomava chá de colônia para aliviar.
   Minha mãe também tinha problemas cardíacos, angina, mais fazia tratamento no Hospital Universitário Walter Cantídio. Dona Helena pedia conselhos sobre a dor no peito e mamãe falava: - Eu não lavo mais roupa, não pego peso e olhe que sou bem mais velha que a senhora.
   Olhando para as duas mulheres, mamãe já perto dos setenta anos, pareciam que tinham a mesma idade tão grande eram as dificuldades que dona Helena passava. Em umas férias do meu trabalho vi dona Helena no portão a menina dela vestia um dos vestidos de minha filha, muito curto e apertado pois sua criança era gordinha.
   Os anos passaram as visitas de dona Helena foram escasseando por conta das dores no peito, agora quem vinha era a garota de olhos vivos e gestos inquietos. Mamãe continuava entregando seus pacotes com alimentos e folhas  de colônia, um santo remédio para o coração. Quanto as roupas de minha filha, que continuava magrinha, somente algumas blusas ou short's de lycra eram doados para a garota de pernas grossas e compridos  cabelos pretos.
   Mesmo depois do falecimento de minha mãe e de dona Helena a garota aqui acolá aparecia em nossa porta pedindo esmolas, minha filha já era casada e mãe, ela também era mãe, deixava sua criança na creche e saia a pedir esmolas nas casas onde conheceram dona Helena. Certa vez tentei conversar com a jovem perguntando: - Por que você não trabalha?  Sua mãe lavava roupa, por que você não procura essas pessoas? Por que você não volta a estudar?  As respostas foram evasivas e em seguida estendeu as mãos para receber as moedas que eu  trouxera para lhe dar.
   Ao entrar em casa meu irmão Carlos, que estava de férias do trabalho, me chamou a atenção por
manter conversação com a jovem. Então eu me defendi e disse: - Essa moça  é filha da dona Helena, a mamãe ajudava, são pessoas muito pobres. E espantada escutei meu irmão falar: - Essa moça é conhecida no terminal como prostituta e ladra!
   Fui para a cozinha e de lá olhei para o quintal, não havia mais a planta colônia com seu delicioso aroma, assim como aquelas duas mulheres que conversavam no portão sobre o olhar de duas meninas com destinos tão diferentes.
   Fátima Silva
   02/08/15

sábado, 25 de julho de 2015

NENÉN MEU IRMÃO MAIS VELHO


Um ano mais velho que eu.

Então chamei e ainda o chamo de Neném.

Era esperto, inteligente. Era não. Ainda é... Já com mais de sessenta anos.

Quando criança ia sozinho para o catecismo, para a Escola.

Imagine só, ia de ônibus, sozinho...  Deixar o almoço de nosso pai no bairro Mucuripe na

Usina do SERVILUZ!

Eu, tão cheia de temores, e ele, sempre tão corajoso.

Aos 11 anos foi de madrugada chamar a parteira para nossa mãe.

Nosso pai estava de plantão na Usina e nosso avô materno, estava velho, andava devagar.

Todos disseram:

- Vá, você é um rapaz!

Era muita coragem?!

Não tinha medo da noite e muito menos do escuro.

 Quando nossa mãe saía, ele ficava como dono da casa, nós tínhamos que obedecê-lo.

Era chamado pelos nossos avós e tios pelo nome: Francisco Augusto!

Quebrou o braço, e não chorou.

Por um mês desfilou com seu braço engessado, com pose de valente.

Assim como eu, gostava de ler.

Lia revistas em quadrinhos, Zorro, Fantasma, Super Homem.

Também lia revistas de Terror e do FBI.

O jornal Pasquim, a revista O Cruzeiro.

Ganhou uma caneta Parkison com o tinteiro de tinta azul.

A caligrafia era bonita, legível.

Exibia um relógio automático.

Fumava escondido, mas não por muito tempo, pois começou a trabalhar numa Seguradora,

por isso, vestia paletó e calçava sapatos sociais.

Era exímio datilógrafo.

Namorou, noivou e casou.

...

Já casado fez concurso para a EMBRATEL.

Tornou-se funcionário público federal.

 Não andava mais de ônibus, pois tinha carteira de habilitação.

 Viajava para São Paulo, imagine só, de avião!

Foi transferido para cidade de Juazeiro do Norte.

No trabalho se tornou um andarilho.

Conheceu palmo a palmo as estradas do Cariri.

O sertão de Pernambuco, do Ceará, da Bahia, sem contar as capitais.

Sentiu o sabor da carne de bode com leite de coco.

Da galinha caipira com farofa de cuscuz.

Tomou banho de cuia, mas se hospedou nos hotéis da Beira Mar.

Entornou goles de cachaça e bebericou uísque em reuniões sociais.

Dirigiu por muitas léguas, assim como, engoliu muita poeira nas estradas do sertão.

Tudo isso lá pras bandas do Cariri.

Cidadão de Juazeiro do Norte, diploma concedido pela Prefeitura por serviços prestados

àquela cidade.

Neném, meu irmão mais velho.

 ...

Aposentado.

Conectado a internet mas, continua a devorar livros, jornais e revistas.

Ávido por conhecimento, sedento por viagens literárias.

 Hoje, não fuma, não bebe... problemas de saúde.

Porém, se embriaga ouvindo Zé Ramalho, Elba, Geraldo Azevedo e outros da MPB.

Maria, ou melhor, Bia é sua esposa.

Rogério e Aline são seus filhos.

Maria Luíza e Felipe seus netos.

Neném, meu irmão mais velho.

Nascido em Fortaleza, hoje cidadão juazeirense.

Uma mistura de fortalezense com caboclo do sertão.

"Cabra" da peste, inteligente, corajoso.

 Sem medo do escuro e sem medo da noite.

 E como bom nordestino:

 - Oxente! Medo de quê? Somente dos castigos lá do céu!

 Esse é:

 Neném, meu irmão mais velho!

Fátima Silva

25/07/11

terça-feira, 21 de julho de 2015

A DAMA E O PALHAÇO


Mais uma história em cordel
Para o leitor vou narrar
“A Dama e o Palhaço”
Você vai se emocionar
É uma história real
Acompanhe o meu versar
A personagem principal
É mesmo, emocionante!
Brincalhão e atrapalhado
Carinhoso e extravagante
O palhaço que é portanto,
Sorridente e intrigante
Ele é um tanto patético
Meigo e atencioso
Delicado e dedicado
É um amigo zeloso
É alegre e despojado
E é muito carinhoso!
O palhaço é ingênuo
É inteligente e esperto
Ama criança e a respeita
Cuida e está sempre perto
Tem limite sua alegria
Coração roubado por certo
Enfim, nossa personagem
É muito fácil o vermos
Nas ruas, praças e feiras
E o riso satisfazermos
No circo, TV ou jornais
Rondando por perto termos
Alegre e extrovertido
Divertido, sorridente
Assim vemos o palhaço
Mais seu velho peito sente
Talvez, falta de um amor
Verdadeiro, realmente!
E é sobre este amor
Que esta história irá tratar
Uma dama que roubou
Desta personagem sem par
Seu coração e vida
O fez, a ela entregar!
Ele conheceu alguém
Com pouco tempo casou
Uma infeliz ideia
Que o palhaço pensou
Não construiu uma família
Pois a vida não deixou
A história deste palhaço
Já começou errada
Com esta mulher que ele
Muito se dedicava
Com carinho e atenção
O palhaço lhe prestava
Claro que ele também
Errava de vez em quando
Discutiam, não se entendiam
Desequilíbrio e desmando
Financeiro e profissional
Sentimental desandando
Neste pandemônio
O palhaço então conhece
Um “acidente” de percurso
Que o corpo não reconhece
Pois o braço do palhaço
Não mexe, desobedece
O mesmo sofreu uma,
Luxação reisidivante
Do ombro que várias vezes
Não foi à frente adiante
Deslocando-se 14 vezes
Dores “insuportantes”
Durante este período
O palhaço então sofria
Por um lado nosso artista
Sua alegria perdia
Temporariamente,
Pois outra alegria surgia!
Foi um momento difícil!
Desavenças e turbulência!
Separação na vida real!
Esta, com reincidência!
E inevitavelmente,
A famigerada carência
Desta primeira mulher
Após ele se separar
Questões de fé e de crença
O puseram a pensar
Se valeria a pena
De novo se apaixonar
Mais a vida continuava
Ele estava trabalhando
Num projeto social
Artes cênicas ensinando
E em um belo dia
Uma festa estava animando!
Era o dia das mães
Aquela data festiva
E em uma encenação
Em uma atitude altiva
Ele com uma flor
Presenteia sua diva
O palhaço que também
À dama fez-se entregar
Aquela rosa tão linda
Seus olhos fez-se brilhar
E ela viu o vazio
Um apelo para o salvar
Pois um grito de socorro
A dama diz que ouviu
Um pedido por amor
Por ajuda então surgiu
A dama falou que então
Ao palhaço não resistiu
Esta dama que ao palhaço
Teve grande admiração
Por este artista nato
Por sua dedicação
Diz que ele então roubou
Dela o seu coração
A dama também sofria
Com um infeliz casamento
Sem paixão e sem amor
Sem nem um sentimento
Pelo contrário brigas
Muitos desentendimentos
Ela teve quatro filhos
E um marido ausente
Não teve apoio deste,
Marido nunca presente
A família dela também
Tratou-a displicentemente
Ainda não se conheciam
A dama e o palhaço
Alguém os apresentou
E houve o desembaraço
Meus versos e inspiração
Neste cordel passo a passo
Na entrega da rosa
Que o palhaço doou
A dama também estava
Triste mais se transformou
Reagiu, e sua vida
Um outro rumo tomou
Enfim os dois no passado
Uma borracha passaram
Tentam vencer juntos hoje
A guerra que eles travaram
Separados sem saber
Que juntos eles ganharam
Uma vida melhor construíram
Vivem, mesmo, um grande amor
Juntos combinam e acordam
Do mínimo ou máximo valor
Não só financeiramente
Mais na fé, vida ou labor
Enfim nossas personagens
Não foram felizes antes
Mais ao se encontrarem
Com suas vidas errantes
Com certo tempo tomaram
Decisões muito importantes
A primeira foi então
O palhaço conversar
Com o líder religioso
Com a religião se “acertar”
E infelizmente ele teve
Que sem a mesma,ficar
Pelo menos por enquanto
Pois ele muito amava
E ama Jesus Criador
E outras decisões tomava
Buscar sua formação
Escolar que almejava
A dama e o palhaço
Estes se decidiram
Ele então afastou-se
Da religião e agiram
Ela deixou os filhos
E pra viver juntos partiram
A dama deixou sua casa,
O marido e uma vida
De sofrimento e de dores
Desta heroína aguerrida!
Medo, depressão e angústia
E uma guerra pedida
A guerra a que me refiro
Era a mesma de seu amor
O palhaço que também
Travava com muito ardor
Era construir na vida
Vida melhor,sim, senhor!
O palhaço também deixou
Para trás o seu passado
Deixou seu bairro e amigos
A fim de ser respeitado
De ser mais reconhecido
E também ser mais amado
O palhaço hoje, pois,
Tem duas formações
Um emprego razoável
Vive sem humilhações
Este, não precisa mais
De ouvir reclamações
A dama infelizmente
Está a perder a visão
Mais esta não se abala
Tem mesmo motivação
Vou dizer o que ela faz
Com muita disposição
Esta mulher senhores
Faz cursos interessantes
Violão, teclado, informática
Todos são instigantes
Hidroginástica e braile
Nunca praticados antes
Ela ainda é confrade
De letras da academia
De artes do Instituto
Dos Cegos, uma alegria
Uma realização
Que ela não imaginaria
A dama e o Palhaço
No cartório se casaram
E com as bênçãos do Senhor
Na igreja se apresentaram
E os seus laços do amor
Eles então reforçaram
Hoje, nossas personagens
Juntos felizes vivem
Estão bem financeiramente
E juntos tudo decidem
Juntos compram e pagam
Profissionalmente progridem
Juntos eles compartilham
Juntos tem religião
Vão á igreja sempre
Os dois tem o coração
Voltados para o Senhor
E para ajudar o irmão
Quem inspirou-me foi,
A dama desta história
Ela escreveu tudo
E poetizei na memória
O Senhor me abençoou
Á ela a dedicatória
Concluindo meu cordel
“A dama e o Palhaço”
De verso em verso escrevi
A história sem embaraço
Falei de sofrimento e amor
E a felicidade foi o traço
Falei de luta e trabalho
Falei de superação
De amor e sentimento
De fracasso e decisão
Falei de fé e de medo
De amor e união
História da autoria de MARIA DE LOURDES FERNANDES, acadêmica da ALASAC e versejado pelo cordelista ANTONIO MARCOS BANDEIRA.

sábado, 18 de julho de 2015

O CORDÃO DA MINHA VIDA


NO CORDÃO DA MINHA VIDA
MUITAS COISAS EU PASSEI
DESDE O MEU NASCIMENTO
DIFICULDADES, ENCONTREI
AO NASCER MUITO SAUDÁVEL
RAQUITICO DEPOIS FIQUEI
MINHA MÃE CONTA QUE EU
ERA MUITO MAGRINHO
DISSE QUE QUASE SEMPRE
AO OUVIR UM GEMIDINHO
ERA EU JÁ ARQUEJANDO
MORRENDO DEVAGARINHO
TIVE VÁRIAS DOENÇAS
SARAMPO E CATAPORA
TIVE PAPEIRA E OUTRAS
ESTAS EU NÃO LEMBRO AGORA
VIVIA NOS HOSPITAIS
INTERNADO MUNDO AFORA
MAIS, DESTA FASE PASSEI
CONSEGUI SOBREVIVER
NA ESCOLA SEMPRE FUI
UM EXEMPLO A MERECER
ELOGIOS E PARABENS
SEMPRE ESTUDEI PRA VALER
MAIS EU NÃO CONSEGUI
APRENDER A MATEMÁTICA
A QUIMICA OU O INGLÊS
FISICA QUE NÃO É ESTÁTICA
NÃO APRENDI BIOLOGIA
MAIS SOU BOM NA INFORMÁTICA
VENDI TAPIOCA E BANANA
NAS RUAS ONDE MORAVA
FUI CAMELÔ NA CIDADE
E FRUTA TAMBÉM COMPRAVA
VENDIA COM MEU PAI NOS BAIRROS
E CEDINHO EU TERMINAVA
VENDI BOMBONS NA PRAÇA
NOS ÔNIBUS, NA ESTAÇÃO
VENDI PIMENTA E ALHO
SOU PALHAÇO E TENHO AÇÃO
FIZ TEATRO E SOU ATOR
FORMADO NA ATUAÇÃO
VIAJEI PELO PAÍS
QUINZE ESTADOS CONHECI
DOIS ANOS PELAS ESTRADAS
MAIS EU NUNCA ME ESQUECI
DE MINHA FAMILIA QUERIDA
DE ONDE SEMPRE PARTI
ESTE CONTATO QUE TENHO
COM MINHA FAMILIA QUERIDA
MEUS PAIS, IRMÃOS E PRIMOS
O MAIOR VALOR DA VIDA
OS AMO DE CORAÇÃO
CHORAVA NA DESPEDIDA
EM QUALQUER LUGAR QUE EU FOSSE
RODOVIÁRIA E MUSEU
TEATRO MUNICIPAL
EU DIZIA, QUEM FUI EU!!!
LIGAVA PRA MINHA MÃE
A QUAL NUNCA ME ESQUECEU
QUANDO ADOLESCENTE EU
FUI ENTÃO ACOMETIDO
POR UMA DOENÇA TERRIVEL
ALCOOLISMO DESMEDIDO
QUANDO EU TENTEI PARAR
JÁ ESTAVA “DESTRUÍDO”
TIVE UM AMOR PLATÔNICO
SOFRI, E NÃO FUI AMADO
POIS EU AMEI MUITO ALGUÉM
MAIS NÃO FUI RECOMPENSADO
ELA NÃO QUIS MEU AMOR
FUI SER, POIS, EMBRIAGADO
PERDI ENTÃO O QUE ACREDITO
SER DE MAIOR IMPORTÂNCIA
A DIGNIDADE E A FÉ
O RESPEITO E A RELEVÂNCIA
DE SE TER A MORAL
A PRIMEIRA EM NOSSA INSTÂNCIA
DAI AOS DEZENOVE ANOS
FUI PELA SOCIEDADE
DESPREZADO E ESCURRAÇADO
NAS MARQUIZES DA CIDADE
FUI LEVADO AO CHÃO
ESQUICIDO E ESMULAMBADO
MAIS, MAIS UMA VEZ, SENHORES
POR DEUS EU FUI RESGATADO
TIVE AJUDA DE ALGUÉM
NO MOMENTO DESEJADO
EU QUIS, ENTÃO A MESMA
HOJE, SOU UM FELISARDO
APRENDI O PORTUGUÊS
NO QUAL HOJE SOU FORMADO
TENHO PÓS-GRADUAÇÃO
SOU MUITO REQUISITADO
NÃO APRENDI A HISTÓRIA
MAIS ELA TENHO ESTUDADO
MARIA DE LOURDES FERNANDES
ESTA É A MINHA AMADA
É MINHA ESPOSA QUERIDA
MINHA AMIGA E NAMORADA
MINHA COMPANHEIRA DE FÉ
MEU CONFORTO NA ESTRADA
NA LONGA ESTRADA DA VIDA
E NESTE CORDÃO SEM FIM
TEMOS O SENHOR JESUS
COM SEUS ANJOS QUERUBINS
ARCANJOS E NOSSO DEUS
A NOS GUIAR SEMPRE ASSIM
DA LÍNGUA PORTUGUESA
HOJE SOU PROFESSOR
SOU PROFESSOR DE TEATRO
DO CORDEL QUE TEM VALOR
PROFESSOR DE INFORMÁTICA
PALESTRANTE E PESQUISADOR
HOJE SOU DO VARAL
DO BRASIL REPRESENTANTE
DA SUIÇA NO BRASIL
DA CULTURA ESTIMULANTE
PROFESSOR DE LITERATURA
DA ARTE SOU ATUANTE
ESTES VERSOS QUE ESCREVI
É O CORDÃO DA MINHA VIDA
PARTE DE UMA GRANDE ROLO
QUE PENDURA MINHA LIDA
FIO DE VÁRIOS QUILÔMETROS
DE CORDA JÁ PERCORRIDA.
MARCO ANTONIO BANDEIRA, poeta, cordelista, professor de Português, palestrante, professor de teatro e correspondente da Revista Varal do Brasil em Genebra-Suíça.
Fortaleza - Ceará - Brazil.

quinta-feira, 16 de julho de 2015

APRISIONAMENTO DE EXPRESSÃO


    Vivemos em um País democrático, onde a liberdade de expressão é  uma
conquista coletiva de grande valor. Aqui nos expressamos sem censuras  e
embora tenhamos de respeitar as Leis que controlam o teor de  dignidade,
respeito e justiça no nosso expressar, falamos e escrevemos  à  vontade,
seja em jornais, letras de músicas, entrevistas e conversas ao redor das
mesas, mesmo que, às vezes, confundamos liberdade com libertinagem.
    Nascido na geração em que nasci, pude vivenciar um Brasil  de  bocas
amordaçadas, porém não caladas e uma  era  de  redemocratização  com  os
discursos livres podendo retornar à Pátria sem medos da ditadura.  Antes
era a censura militar, depois mente, coração e língua pra que te quero.
    Ser livre para pensar, falar e agir,  tornou-se  uma  realidade  nos
dias de hoje, seja qual for o espaço,  a  lente,  o  microfone,  a  rede
social, a conexão, lá estamos nós ferindo ou sendo feridos por essa  tal
liberdade de expressão. Ainda bem que a China não é aqui, assim, podemos
arregimentar  as  marchas  apologistas  e  extravasar  nosso  idealismo,
ufanismo, consumismo, realismo, modismo, abismo e tantos outros  "ismos"
que abraçamos sem medo e  muitas  vezes,  até  sem  convicções.  Viva  a
liberdade de se expressar!
    Após esvaziar o pote das reflexões sobre a liberdade  de  expressão,
vou encher outro  pote  com  as  reflexões  sobre  o  aprisionamento  de
expressão. E o que é mesmo esse tal de aprisionamento de  expressão?  No
limiar do pensamento do escritor é a essência que nos leva a  "amarrar",
"prender", "ancorar" e quaisquer formas de atrelar as nossas  expressões
às cadeias de nossas crenças, de nossas filosofias, verdades individuais
e consciência cósmica. A prisão da expressão, aqui significa que  vou  à
parada disso, à parada daquilo, a marcha daquilo outro, mas sempre preso
no que realmente acredito,  prego  e  pratico.  É  o  aprisionamento  da
expressão que se liberta para expressar a transformação.
    Em tempos duros e violentos, pobres  e  sanguinolentos,  com  poucas
penitenciárias e muita marginalidade impune, venho eu pedir pelo menos a
aprisionamento da expressão, assim, o juiz da  minha  alma,  o  juiz  da
minha palma, irão compreender que preciso da liberdade de expressão para
manifestar minha honra,  minha  ética  e  minha  plenitude,  que  sempre
estarão presas à minha identidade, sem precisar de  alvarás  de  soltura
advindos da hipocrisia. Preso no que expresso,  me  liberto  com  o  que
confesso. Viva o aprisionamento da minha expressão! O que  falo,  o  que
penso, o que sinto, o que  faço  e  o  que  escrevo,  certo,  errado  ou
iludido, está preso à uma estrutura que não se corrompe, não se alia  às
incoerências ou se acomoda nas influências. Na minha terra se diz que  é
ter "sangue no olho".
     Vou utilizando a liberdade de expressão com  a  sensatez  de  estar
aprisionado ao que professo  e  Graças  à  Deus,  vou  construindo  esse
presídio, como posso, como mereço,, mas sempre  com  a  certeza  de  que
quero me espelhar no maior Libertador que já apareceu no mundo, para nos
prender à tudo aquilo que nos libertará.
Paulo Roberto Cândido
Presidente da ALASAC -Academia de Letras e Artes da Sociedade de Assistência aos Cegos 
e membro da AMLEF.
1,55 GB (10%) de 15 GB usados

Leia também

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...